Estante do Refúgio: Textos
Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens

18/03/2015

Será? - Crônica

Acordei em mais um dia monótono, assim como todos os outros. Resolvi ir até a pracinha do centro. Ao chegar lá, me sentei em um banco qualquer e me pus a observar o local.

Me deparei com uma criança mexendo na lata de lixo, aquela era a figura da pobreza. Quantos dias ela teria passado sem comer? Eu poderia fazer algo para ajudá-la?

Na esquina, vi uma menina falando ao telefone e se debulhando em lágrimas. A mãe dela teria morrido? Ou seria apenas mais um namorado que teria a traído?

Em minha frente, passou um casal com pressa e falando nos telefones respectivos. Seria realmente necessário toda essa afobação? Eles teriam um filho que ficou com uma babá em casa, assim como todos os dias desde seu nascimento? Eu chegaria a esse ponto algum dia?

Do outro lado da rua, vi uma menina correr até  os braços de um garoto. Será que estavam com tanta saudade? Quantos dias eles teriam  passado longe um do outro? Poderiam ser anos? A maneira com que se olhavam dava para perceber que eram almas gêmeas. Será que vou encontrar um amor assim algum dia?


Com tantas perguntas na cabeça, fui para casa desolado e confuso. Mas depois de muito pensar, cheguei a conclusão que só irei ter essas respostas se eu conseguir me desgrudar da vida dos outros e começar a viver a minha própria vida.

- Gente, essa foi minha primeira crônica, gostaria que comentassem o que acharam aqui em baixo e, caso peguem ela, queria que colocassem créditos, obrigada, beijos da Mands!

11/02/2015

Pessoas caseiras...


“Por isso, eu acredito que as melhores pessoas estão em casa. Lendo algum livro qualquer ou vendo algum filme. Não estou dizendo que as pessoas que saem para beber sexta a noite são ruins, mas é que eu não sei o por que, sempre tive uma queda por pessoas caseiras. Talvez por que elas conseguem ver graça nas pequenas coisas que passam despercebidas no dia-a-dia. Como aquele livro empoeirado que você deixou pra ler depois, uns anos atrás. Ele possuía as melhores histórias e versos, mas você nunca conseguiu acabar de lê-lo pois estava ocupada demais com o seu namorado, que uns meses depois, iria te largar. Ou até aquele álbum velho em que você tem uma foto junto do seu melhor amigo pelo qual você tinha uma queda no colegial. Hoje ele é dono da maior empresa da cidade, e sempre teve uma queda por você também, mas por algum motivo, você nunca deu uma chance pra ele pela reputação de nerd que ele levava na escola. Há coisas tão pequenas e tão importantes escondidas por aí, mas por algum motivo, nunca percebemos por que sempre estamos nos preocupando com coisas que nem valem tanto assim. E é por isso que eu gosto de pessoas caseiras. Elas prestam atenção nos detalhes, nas coisas pequenas. Elas vêem a felicidade em sorrisos, e não em festas caras. Elas conseguem ser felizes com uma xícara de café e um livro de cabeceira. Elas conseguem ser felizes com o pouco que tem.”

—  Pessoas caseiras.

19/12/2014

Toda garota...


“Toda garota tem um tênis velho que não consegue parar de usar, e aquela música que não consegue parar de ouvir. Toda garota precisa de um elogio pra se sentir bonita, e de uma maquiagem pra se sentir confiante. Toda garota já chorou até dormir ou riu quando não deveria. Toda menina tem aquele momento que desejaria esquecer, e aquele que nunca irá esquecer. Toda garota tem aquele jeans preferido, e aquele sapato que machuca. Toda garota tem medo de algo, ou se sente insegura perto de alguém. Toda garota tem aquele garoto que não importa o quanto a machuque, sempre terá seu coração. Toda garota tem TPM, e só um chocolate resolve. Toda garota já desejou ser outra garota. Toda menina já se olhou no espelho e se sentiu horrível ao ponto de não querer sair de casa. Toda garota já apertou o pé no sapato para caber, ou a barriga para emagrecer. Toda garota já sonhou com o príncipe encantado e já se perguntou aonde ele estaria. Toda garota já beijou o cara errado e se arrependeu.”

- Desconhecido. 

27/10/2014

"O verdadeiro amor acontece por empatia..."


“Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome. Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor? Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.”

- Martha Medeiros.

20/10/2014

Mas a verdade grita...


“Não sei o que está acontecendo comigo, diz a paciente para o psiquiatra. Ela sabe. Não sei se gosto mesmo da minha namorada, diz um amigo para outro. Ele sabe. Não sei se quero continuar com a vida que tenho, pensamos em silêncio. Sabemos, sim. Sabemos tudo o que sentimos porque algo dentro de nós grita. Tentamos abafar esse grito com conversas tolas, elucubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, namoros virtuais, mas não importa o método que iremos utilizar para procurar uma verdade que se encaixe em nossos planos: será infrutífero. A verdade já está dentro, a verdade se impõe, fala mais alto que nós, ela grita. Sabemos se amamos ou não alguém, mesmo que esteja escrito que é um amor que não serve, que nos rejeita, um amor que não vai resultar em nada. Costumamos desviar esse amor para outro amor, um amor aceitável, fácil, sereno. Podemos dar todas as provas ao mundo de que não amamos uma pessoa e amamos outra, mas sabemos, lá dentro, quem é que está no controle. A verdade grita. Provoca febre, salta aos olhos, desenvolve úlceras. Nosso corpo é a casa da verdade, lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona e finge esquecer. Mas há uma verdade única: ninguém tem dúvida sobre si mesmo. Podemos passar anos nos dedicando a um emprego sabendo que ele não nos trará recompensa emocional. Podemos conviver com uma pessoa mesmo sabendo que ela não merece confiança. Fazemos essas escolhas por serem as mais sensatas ou práticas, mas nem sempre elas estão de acordo com os gritos de dentro, aquelas vozes que dizem: vá por este caminho, se preferir, mas você nasceu para o caminho oposto. Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. Você cumpre o ritual todinho, faz tudo como o esperado, e é feliz, puxa, como é feliz. E o grito lá dentro: mas você não queria ser feliz, queria viver! Eu não sei se teria coragem de jogar tudo para o alto. Sabe. Eu não sei por que sou assim. Sabe.”

- Martha Medeiros

09/10/2014

Inspiração do dia


“Você pode falar hoje que desiste ou que cansou de amar errado mas no fundo você sabe que amanha vai estar sentindo a mesma coisa de novo. É difícil simplesmente seguir em frente, primeiro você vai ter seu coração partido todos os dias por um longo tempo, vai ter insonia e ciumes de qualquer coisinha que ver pelas redes sociais. Nada vai ser bom o suficiente para te fazer perceber que pode ser feliz sem aquela pessoa. Você vai pagar um preço muito caro. Só então você começa a esquecer, mas é gradativamente, so um pouquinho cada dia. Ate que chegará um dia em que você vai acordar e perceberá algo diferente, seu coração já não terá mais aquele peso de um amor torto. Ele estará leve, adormecido. Você finalmente assumirá o controle de novo. Dai você começará a avaliar tudo aquilo pelo qual passou e tirará suas lições. Você se perceberá uma pessoa mais madura. Mais esperta. Pronta para seguir em frente.”

– Jonatan Reis 

30/09/2014

"O esquecimento só dura até se lembrar outra vez..."


"Qualquer esquecer é temporário. Você pode esquecer as chaves do carro, esquecer de pagar uma conta, você pode esquecer até de buscar seu irmão mais novo na escola. Mas uma hora ou outra, você vai acabar lembrando que esqueceu. Vai dar por falta, vai voltar pra buscar. Por isso, eu acredito que esquecer alguém talvez não seja possível, isso nunca vai acontecer. Você pode esquecer durante uma conversa, ou enquanto faz uma prova importante, você pode esquecer quando estiver beijando outra pessoa… Mas depois, minutos, horas ou anos depois, alguma coisa vai te fazer lembrar. A vontade pode diminuir, as piadas que antes pareciam engraçadas, podem não ser mais. A saudade pode desaparecer como se nunca tivesse existido. Esquecer? Esquecer não dá, não se pode esquecer o que já conheceu, já sentiu, ou gostou. Entende o que eu quero dizer? Todo esquecer é temporário, ele só dura até se lembrar outra vez."

- ANÔNIMO

29/09/2014

"Perdi meu amor para um câncer"


Gente, eu estava vendo os posts da Isabela Freitas (amo mais que a vida!) e me deparei com a história mais emocionante que eu já li em toda a minha vida. Vale a pena conferir!

"Perdi o homem da minha vida pra um câncer. Eu sou S., tenho 26 anos, trabalho com mercado financeiro e perdi meu namorado a 7 meses para uma leucemia. Fui morar em BH a trabalho em 2011 e passava muito tempo em casa sozinha. Um dia conversando com uma amiga, papo vai, papo vem ela me contou sobre um colega nosso de escola. Ele tinha descoberto que estava doente. Estava com LMA( Leucemia Mieloide Aguda). Nunca tivemos muito contato na escola. Eu sempre certinha, achava ele tonto demais, bagunceiro demais, mulherengo demais. Nunca tivemos afinidade. Pelo menos não até aquele telefonema. Ele me contou que estava bem, estava super animado e confiante, que ia sair dessa e ia me convidar pra tomar um chopp para comemorarmos.  Trocamos email e começamos a nós falar diariamente, o dia todo. Ele reclamava do clima e da comida de hospital e eu reclamava por estar longe da minha família e dos meus amigos. Arrumamos algo  em comum: A fome e a reclusão do mundo.
Como vinha para SP semanalmente, comecei a visita-lo no hospital. Depois de alguns meses não agüentando mais ficar longe de todo mundo voltei pra casa. Fiz as malas e vim embora. Felipe estava ainda em tratamento e não podia sair pra muitos lugares. Então passávamos a maior parte do tempo ou na minha casa ou na casa dele. Passávamos horas batendo papo, dormindo, rindo, comendo. Não tinha nada que eu fazia que não chamava a ele. Não tinha nada que ele fazia que não me chamava. Todo mundo começou a comentar, brincar que estávamos namorando específico. Acho que todo mundo percebeu antes mesmo de nós dois. 
Em março de 2012 depois de sessões pesadas de químios o Fe se internou para o transplante de medula. Foram longos dias sem visitas, sem notícias. Dias cheios de angústia. Quase surtei.  Chorava, chorava e chorava. Até que um dia ele me mandou uma mensagem dizendo: Palhaça, a medula pegou! To salvo! Ganhei a vida de novo.
Depois de dias de angústia pude finalmente respirar de novo.  Aos poucos fui tendo meu amigo de volta. As conversas, os filmes no sofá da sala, os restaurantes, as sessões de cinema, os bate papos.  Éramos grudados, amigos inseparáveis. Até que no dia da formatura da minha irmã as coisas mudaram. 
Naquele baile, ele me tirou pra dançar. Aquelas luzes, os papéis caindo e ele comigo. Não poderia ter sido mais perfeito. Seus braços na minha cintura e os meus no pescoço dele, como num laço ou enforcamento desastrado, e eu não conseguia pensar em nada. Nada mesmo. Eu tava ali vivendo, dançando, olhando pra dentro dele e não pensava. Caiu a ficha! Não era só amizade! Impossível ser apenas amizade.
Era amor. O maior e mais bonito que já tive até hoje. Depois daquela noite foi que a coisa desandou. Foi tudo muito rápido e intenso.  Passava mais tempo na casa dele do que na minha própria casa. Trocávamos centenas de mensagem por dia. Eu que nunca gosto muito de ninguém gostei tanto dele. Baixei a guarda, me entreguei de corpo e alma. Brigávamos muito muito muito. Mas sempre fazíamos as pazes. Pela primeira vez na vida eu senti a sensação de querer quem eu tinha. Eu o amava. Ele me amava. E apesar de um odiar o outro as vezes, o amor sempre falava mais alto. Seria tudo perfeito se a leucemia não tivesse voltado.
No final de 2012 notei o Fe calado, distante, irritado. Estava  sempre cansado, irritado, nunca queria sair. Totalmente o oposto do cara que convivi por tantos meses.  Tentei fazer com que ele me dissesse o que estava havendo mas foi inútil. Até que um dia ele me chamou pra conversar e disse q já não nós entendíamos muito bem é que achava melhor terminar nosso namoro para que não estragássemos a amizade. Fiquei devastada. Sem entender. Nossa brigas eram brigas normais. Não tinha motivos pra tudo aquilo. Pelo menos eu achava que não.  Mas o Fe tinha. Ele estava doente de novo. E sabendo tudo que teria que passar novamente, terminou comigo pois não achava justo eu ter que sofrer com ele tudo que ele tinha que sofrer. 
Ele era obrigado a passar por tudo aquilo, mas eu não. Um dia deixei meu orgulho de lado e fui procurá-lo. Chegando na casa dele o encontrei aos prantos no quarto. Foi aí que ele me contou. Acho que por alguns segundo meu mundo saiu de órbita. Até digerir tudo aqui… Tive medo, pânico, pavor… Não sei explicar o nome do que senti. Engoli todo o desespero, o abracei e disse que ele não estava sozinho. Que ele querendo ou não, era do lado dele que eu ia ficar. Enfrentaríamos tudo juntos e ele iria ficar bom pra me levar pro altar. Porque era com ele que eu iria casar. 
Hospital Edmundo Vasconcelos. Ali virou nossa segunda casa. Quimioterapias, vômitos, náuseas, efeitos colaterais,  dor, angústia, medo… Muita coisa ruim. Mas acho que nesse hospital foi onde aprendo o verdadeiro sentido da palavra amor. Nos dias "bons" riamos, dormíamos de conchinha, assistíamos filmes, batíamos papo. As vezes nem parecia um hospital.  Nos dias ruins Fe nem acordava pra dar bom dia. A essa altura já tinha largado a faculdade e me dedicava apenas ao trabalho e ao Felipe. Era uma corrida contra o tempo. Precisávamos de um doador. Sem irmãos de mesmo pai e mãe, com a família pequena as chances eram mínimas. Não dava pra saber até quando o corpo dele ia agüentar as pesadas sessões de químios. Geralmente eram 30 dias internado e uma semana em casa pra recarregar as energias. A cada dia nos tornávamos mais próximos. Acho que depois do Felipe eu passei a acreditar em alma gêmea. Era incrível como ele me conhecia só de olhar.
Em um desses intervalos em casa, eu estava no trabalho quando a mãe dele me ligou gritando: tínhamos achado um doador. O Felipe estava salvo. Ia dar tudo certo. Estava acabando. Olha eu acho que nunca na minha vida me senti tão feliz. Meu peito parecia que ia explodir de gratidão de emoção de felicidade! Mas aí aparecem mil dúvidas: será que é mesmo compatível? Será que a pessoa vai querer doar? Será que vai dar tudo certo?  Voltamos correndo pro hospital, dessa vez o São Camilo.
Começaram novas sessões de químios. Uma mais agressiva que a outra. Mas dessa vez tinha uma certeza: ia dar tudo certo. E deu. A medula era compatível, o doador aceitou doar, o transplante foi um sucesso. Depois do transplante é tudo muito sofrido e perigoso. A vulnerabilidade a infecções e bactérias é enorme. A pessoa sente dores terríveis, perde peso, sente náusea, tonturas, falta de apetite… O Fe superou tudo isso. Ele tinha vencido.
Um dias antes do meu aniversário (19/07) o Felipe teve alta. Ganhei um bolo surpresa. Tinham meus avós, meus pais, meus irmãos, minha sobrinha, meus grandes amigos e meu namorado BEM. Não tinha o que pedir na hora de apagar as velas. Estava feliz! Plenamente e completamente feliz. Acordei com café na cama e um beijo de bom dia. Infelizmente que felicidade durou pouco. Poucos dias depois o Fe começou a se sentir mau e teve que ser internado.
Não sei explicar, mas no dia que fomos para o hospital, mesmo ele estando clinicamente bem, eu sabia que ele não voltaria mais.
Foram 20 dias de internação! Os mais longos e mais sofridos. O Fe teve uma piorada rápida. A cada dia quebrei chegava lá ele parecia pior e pior. Ninguém sabia explicar como mas apesar do cuidado ele tinha contraído uma bactéria. Teve uma infecção generalizada. Comecei a ver meu amor indo embora. O desespero tomou conta de mim. É cortante não poder fazer nada para aliviar a dor de quem a gente ama. Depois de 3 dias aterrorizantes na UTI o Fe foi embora.  
É um momento que não separa ninguém por raça, sexo ou religião. Todo mundo sente o mesmo, seja dor ou impacto. Todo mundo sente. Aquele minúsculo milésimo de segundo que antecipa a pancada brusca que a gente recebe no coração. Foi assim que eu senti quando me disseram que ele tinha ido embora. 
Daquela noite de 20/08/2013 muito pouco me lembro. O que me lembro é que fiquei ali, até o último suspiro. Apesar de todo o pavor. Enfrentamos juntos. E eu morro de orgulho de ter sido a namorada do Felipe Ricardo Lopes. O ogro mais fofo e romântico que eu vi na vida. O coração maior e mais mole que eu pude conhecer. Eu cresci tanto com ele que não consigo mais voltar ao tamanho que tinha antes, como se eu estivesse fora do lugar, sabe? Sem ele eu sinto que não me encaixo mais na minha própria vida. Eu sei que um dias as coisas vão voltar ao “normal”. É só que o mundo com ele era mais seguro.
Não sei se ele soube, mas as minhas melhores ações são sobre ele – e que as minhas maiores confissões envolvem o que é nosso e o que ninguém mais sabe. Nem você ele. Ele nunca soube mas ele me salvou de mim mesma.   Eu sei o cheiro dele de cor e salteado. Eu sinto de vez em quando no meu quarto. Mesmo que ele não esteja aqui.
Nos falávamos do futuro, como quem fala de um sonho bom. Juntei minhas vontades com as dele, e as transformamos em momentos perfeitos. Vai ficar guardado cada sorriso que trocamos. Vai ficar guardada cada saudade que não matamos… E se o presente fugiu dos nossos planos, eu pego o que passou e guardo num canto bonito do peito.
Ele é uma das histórias mais lindas que o meu coração tem pra contar…"
É de partir o coração, não é mesmo gente?
Me enviem histórias de vocês por email (amanda_volpato@outlook.com) que vocês queiram compartilhar conosco (pode ser anônimo).
Beijo da Mands!

15/08/2014

Me abraça

"Concordo com a famosa citação: abraço é muito mais que um encontro de corpos, é um encontro de corações. É muito mais que toque, pois os sentidos são os menos afetados. De todos, a alma é a que melhor sente. É sair do chão por um segundo e, ao mesmo tempo, sentir os pés mais firmes. Abraço é ter uma parte do nosso mundo entre os braços. É se ver livre quando preso. Abraço cura, sara cicatrizes e medos. É um presente recebido na mesma dose, intensidade, momento e gratidão com que é dado. Vale muito mais que beijo. Beijo é vontade, enquanto abraço é carinho. Nas festas, nas ruas, nos quartos quantas pessoas se abraçam? Digo, realmente, de alma e coração? Beijo é pressa, mas abraço é calma. Não tira fôlego, tira palavras. E quantas coisas nessa vida desesperada nos fazem ficar em silêncio por tanto tempo? Abraço é dizer com os braços aquilo que fica calado na boca. É estar ali e saber que o outro também está. É transmitir energia e filtrar tudo o que há de ruim. E é algo exclusivo de quem sente. Porque beijo é paixão… mas abraço é amor."
— ANÔNIMO

01/08/2014

Amor...

“Acho que foi em 2004 que a vovó parou de andar. Simplesmente não conseguia mais, ela nunca foi muito ativa, dessas avós corre-mundo de novela, fazia mais o tipo avó de palavras-cruzadas, rezas católicas, Roberto Carlos e jogos do Internacional no radinho de pilhas. Meu avô era o oposto, estava sempre zanzando, sempre trazendo algo novo da rua, ou o usual hálito etílico da birita dominical com seus cupinchas de bar (quantas vezes ouvi a ordem “o almoço está quase pronto, vá buscar o seu avô!”). Eles não admitiriam – nem poderiam, entre tantos outros – mas sempre me senti o neto predileto, eu estava sempre por perto, era amoroso, gostava de brincar com os lóbulos molengas dela e assistir filmes de bang-bang e jogos de vôlei feminino com ele. Um dia meu avô me chamou no quarto. Supostamente minha avó não queria se levantar para tomar o último café do dia, e a lenga-lenga estava o deixando irritadiço. Então eu tive de dizer “ei, vô, a vó não caminha mais” e ele ficou meio confuso, as mãos na cintura, ofegando. Não deu outra, após alguns exames detalhados, o diagnóstico foi o tal do Mal de Alzheimer, coisa que só se dava com o avô dos vizinhos. Com mais alguns anos, minha avó deixou de se alimentar como um adulto, passou a se comunicar apenas com gemidos e sinais. E meu avô foi esquecendo quem eu era, quem era todo mundo. Só não esquecia da sua “Deusa”, como ele dizia, que estava sempre ali, na poltrona próxima à janela. Era um tanto irônico. Ela, com a memória de ferro intacta, vegetando. Ele, pra lá e pra cá nos corredores, perguntando às enfermeiras que horas o carro chegaria para levá-lo de volta para sua casa – onde ele já estava, de onde dificilmente saia. Na cabeça dele, estava, vai saber, na agência de Correios onde sempre trabalhou até uns 30 anos atrás. O tempo foi passando, ele deixou de assistir filmes de bang-bang, foi ficando cada dia mais esquecido, mas agressivo e impaciente, às vezes protagonizando umas cenas engraçadas, que a gente ria antes de chorar. Mas sempre zanzando. Corredor, cozinha, porta da frente sempre trancada, corredor, sala, banheiro, quarto de dormir. Como se estivesse num lugar nada residencial, trancado fora do mundo que levou décadas para construir. Então a vovó pegou uma pneumonia. Aí melhorou. Ficou ruim outra vez, os antibióticos não funcionavam. Até que me ligaram no meio da noite. “Ela piorou muito”, eu sabia, era apenas um eufemismo de quem não sabe como dar a notícia. Ao chegar no quarto, o rosto frio de quem não havia sofrido muito, os socorristas preenchendo formulários, legalizando o sono eterno. Ele deitado do lado, olhos fechados e o neuro-tique de mastigar as gengivas, sem nada desconfiar. Igual ele não discerniria, seria árduo explicar a diferença de vida e morte a um velhinho agredido por uma doença degenerativa avançada. Foi consenso não contar, às vezes a realidade apenas traz dores desnecessárias, felizes são os que vivem no mundo da lua. Pela manhã, enquanto ele contava piadas na sala, a funerária passou com o corpo. Isso foi há umas duas semanas, mais ou menos, e até hoje ele não perguntou por ela. Parece feliz, daquele jeito dele, dias bons, dias ruins, nenhum é igual. Não sei se foi o certo a fazer, mas foi o melhor. Há casos em que a correção não alivia o sofrimento de ninguém. Mas uma coisa me veio à cabeça, enquanto o padre fazia a extremunção divertindo o pessoal melhor do que faria Jerry Seinfeld, um verdadeiro showman. Será que ela não segurou a barra de viver entrevada esse tempo todo só para morrer quando justamente não o faria sofrer? Impossível saber, mas eu acho que sim, seria uma prova de amor contundente no meio dessa matilha de relações egoístas. E, apesar de não crer muito nessas coisas, também gosto de pensar que ela foi para um lugar melhor. Um lugar onde as pessoas lembram do seu nome.”
— Gabito Nunes.

25/07/2014

Quantas vezes você morreu?


“A verdadeira morte não diz quando chega, e quem morre, não existe luto pela alma que se vai, porque ela volta e retorna ao mesmo lugar de sempre, acorda e prossegue no seu corpo vazio esperando a próxima morte que certamente virá cedo, talvez no banho, talvez na fila da padaria, ou à caminho da escola. Algumas pessoas morrem diariamente e não se dão conta, parece loucura? parece absurdo? Sim, realmente parece, talvez você tenha morrido duas vezes até chegar nessa linha, por que não? O ser humano não morre apenas quando seu coração para, não morre apenas quando seus órgãos dão falência, não morre apenas quando para de respirar - o ser humano também morre quando sua vida depende de algo que não se pode ter, o ser humano morre quando é inutilizado, banalizado, esquecido, quando não tem um objetivo, um propósito, um motivo. Pergunto, quantas vezes você morreu na semana passada? dez? vinte? talvez mais, você morreu com um olhar de desprezo, com o celular na mão esperando uma ligação que não chegou, morreu com um sorriso que não foi devolvido, você morreu quando acordou sem estar grato por ter levantado com saúde, morreu quando se acomodou dentro de um quarto fechado esperando que o mundo acabe, morreu quando pensou que não era tão bom quanto imaginava ser. Morreu ao vestir uma tristeza que sufocou demais. Morreu quando deixou de sonhar.”

- SEAN WILHELM


Desenvolvido por Ilaloá Design (2015)