Estante do Refúgio: Crônicas
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24/08/2015

Eternamente - Crônica

"Ela era do tipo que se apaixonava fácil, por simples olhares, sorrisos e gentilezas. Aceitava qualquer convite para o amor. Vestia-se com a roupa mais bonita — e comprava até algumas novas — e entrava naquele jogo, como se fosse novamente a primeira vez. E ela se lembrava de todas as vezes. Era daquelas que têm o registro de cada suspiro, cada beijo, cada passo dado. E gostava disso. Gostava de viver apaixonada.
Até que, um dia, ela se encontrou com ele. Que também andava pela vida assim. Apaixonadamente. E não era só nisso que eles se pareciam. Eles também se assemelhavam em seus gostos. Nos sonhos. Nas manias. E foi irresistível. Aquela parte narcisista que todo mundo tem, se manifestou neles com toda força. Encontrar nós mesmos em uma outra pessoa é uma coisa que não pode ser desperdiçada. E eles agarraram a chance e se agarraram com tanta força que pareciam mesmo um só.
Mas a vida ensina que tudo que vem de surpresa, também vai de surpresa. E foi um susto. De repente, eles já não existiam mais na vida um do outro. Uma dessas fatalidades, em forma de mal-entendido, os separou, deixando novamente a solidão tomando conta daquela parte que todo mundo tem que está sempre esperando para ser preenchida. E eles não se tocaram mais. E não se falaram mais. E tentaram nem se lembrar mais, para que a dor que vinha junto com aquela lembrança parasse de machucar tanto.
E, assim, passaram-se anos. Eles continuaram vivendo, cada um de um lado, tentando se apaixonar tanto quanto antes. Mas algo estava diferente. Ela não entendia o motivo de não conseguir regular a intensidade das paixões, não sabia o porquê de certos amores acontecerem com mais força do que outros. Não seria tão mais fácil poder escolher gostar menos ou mais de determinada pessoa? Mas não era possível. Ela bem que tentou, mas nunca encontrou alguém que fizesse seu coração bater tão alto (ela podia ouvir mesmo tampando os ouvidos) quanto aquele seu antigo amor.
Um dia, ela admitiu que já era hora de deixar o orgulho ir embora e passar a limpo aquela história, para poder guardá-la em alguma gaveta e voltar a escrever a sua vida de lápis colorido. Escreveu para ele uma carta:
“Você me tratava como se eu fosse a princesa de um tempo que não existe mais. Como se eu fosse única nesse mundo. Você fazia com que eu me sentisse especial por se sentir tão especial de estar comigo. Você me tratava como se eu fosse a sua primeira e última namorada. E era exatamente por isso que eu me sentia eterna. Como se a nossa história fosse encantada e não corresse o risco de um dia acabar.”
O que seria apenas um desabafo, acabou sendo um sinal. Ao terminar de escrever, ela conseguiu entender o porquê daquela paixão ter marcado tanto. Ela não foi feita para ter fim. Ao contrário dos livros com finais felizes, os amores mais bonitos são aqueles que têm finais trágicos. E ela aceitou isso. Poderia agora viver outras histórias, ter outras experiências, voltar a se apaixonar. Ela entendeu que “o amor da nossa vida” não precisa ser o último. Ele pode ser o primeiro. Ou o do meio. É o amor que nunca vai se apagar. Que só de pensar, por mais que o tempo tenha passado, continua acelerando o ritmo cardíaco. É aquele amor que continua acontecendo pra sempre. Ainda que seja na lembrança."

- Paula Pimenta

15/05/2015

Conhecimentos: bons até onde? - Crônica

Já parou para pensar em como a presença de gênios hoje em dia é mais baixa? Se você fosse se inspirar em alguém profissionalmente, sem ser teus pais ou algum familiar, quem seria? Percebe como há uma falta muito grande de inspirações por aqui? Bem, a minha teoria é que atualmente estamos cercados de milhares de informações, competições, desafios e isso acaba esgotando as pessoas.

O excesso de conhecimento está deixando a mente de cada um atrasada e ao mesmo tempo agitada, preocupada, com pressa... Qual foi a última vez que você teve um tempo para você e sua família? Qual foi a última vez que conseguiu conversar com os amigos, sair para celebrar momentos bons? Qual foi a última vez que chegamos em casa após o trabalho sem dor de cabeça ou tantas preocupações nos atordoando? Será que sempre foi assim?

Bem, eu só espero que toda essa pressa não acabe com nosso "gostinho" de viver, com o real sentido da vida, com as manias que temos quando estamos sozinhos (aquelas dancinhas engraçadas, ou aquelas caretas no espelho...), com a graça da celebração de momentos únicos, com a união de uma família, com nossas risadas ou com a nossa felicidade.

De qualquer maneira, acho melhor eu levantar pois um longo e apressado dia me aguarda, só espero que isso não atrapalhe uma coisinha chamada vida, que estou louca para viver! 


- Amanda Volpato


28/04/2015

“Deixemos a rotina nos lecionar, amém!” - Crônica


Certo dia estava na missa, naquele ritual de “sentar e levantar” o tempo todo, distraída, pensando em nada e tudo ao mesmo tempo, quando vi um senhor, ele devia ter uns 60 anos, bem moreno, dos cabelos grisalhos, olhos tristes, ossos muito aparentes, roupa larga demais. Ele parecia abatido, cansado e triste. Com as mãos juntas e joelhos no chão, pedia e adorava a Deus com todas as forças que possuía.

Comecei a pensar em qual seria a última vez que teria se alimentado, se possuía uma família, por quais “perrengues” já havia passado e no meio de tudo isso, ele foi comungar. Ao segurar a hóstia em suas mãos, ajoelhou-se a beira do altar, com expressão de suplica, e uma lágrima rolou. Era uma lágrima pesada, doída, pensada e arrependida.

Quantas pessoas ali deixaram essa imagem e lição passar despercebida? Quantas teriam notado aquele homem carregado de experiência? Quem teria aprendido algo com aquilo? Bem, para essas perguntas eu não tenho a resposta, só sei que Deus tinha me levado ali, não para escutar o sermão do padre, e sim, para observar a figura de um exemplo, por não ter nenhuma vergonha de se arrepender... 


27/03/2015

Vilões - Crônicas


"Nas histórias infantis, há sempre um vilão. Nos filmes da Disney, então, nem se fala. Os malvados se destacam e você sabe quem são logo de cara. Jafar, Úrsula, Capitão Gancho, Rainha Má, Hades, Scar, Malévola, Madrasta… Quando criança, ficava com medo só de ouvir a canção do vilão, mas, lá no fundo, alguma coisa me fascinava. Algo brilhava meus olhinhos cada vez que um deles aparecia na tela da TV. E, pensando bem, depois de alguns anos, talvez tenha descoberto o porquê.

Os vilões possuem uma complexidade como nenhum outro personagem no enredo. Eles têm uma personalidade bem marcante que definitivamente se destaca no filme. Li em algum lugar que, quando você consegue enxergar um personagem em qualquer situação, fora da sua história original, então é porque ele foi bem construído. Quem de nós não consegue perceber claramente a personalidade de uma Cruela ou de um Capitão Gancho? E é isso que eu quero dizer: em filmes da Disney, esses caras são sempre incrivelmente conduzidos.
Claro que eles, na maioria das vezes, não atuam com as melhores das intenções, mas pelo menos têm certeza do que querem e não sossegam até conseguir. Enquanto algumas as mocinhas (e mocinhos) conversam com os animais, sentam em florestas e esperam seu sonho se realizar num passe de mágica, os malvados estão em suas cavernas e porões maquinando e realizando seu sucesso. Para quê fadas madrinhas se você mesmo tem a magia nas suas mãos?
Posso dizer que essa foi uma das lições que os vilões me ensinaram: para correr atrás do seus sonhos, é preciso só começar. Esquecer o medo e o receio de que “não sei se sou capaz”. Sim, é capaz. Se você será derrotado por um gênio de lâmpada mágica, bom, aí é outra história. Pelo menos você tentou!
Nos filmes da Disney, o mal é sempre mais inteligente. Tá, não podemos contar com Gaston ou outro vilão trapalhão e garanhão. Mas pensem no trabalho que os outros tiveram e em como foram engenhosos e geniais na execução. Eles dão vida e energia para os filmes e, muitas vezes, é o lado negro da força que nos faz rir. E muito! Principalmente os capangas dos gênios do mal. O que dizer de Agonia e Pânico (Hércules), das hienas (O Rei Leão) e do cãozinho Percy (Pocahontas)? Lembra deles? Aposto que você chorou de tanto rir com alguma resposta malcriada do papagaio Iago também.
Não, não estou envergonhada ao dizer que adoro a complexidade dos vilões. Eles são interessantes personagens mesmo e não dá para negar. Além disso, eles me ensinaram. Planeje. Dê o seu melhor. Mire o topo. Não se contente com pouco. Não leve desaforo para casa. Arranje um animal de estimação tão maléfico quanto você. Dance como se ninguém estivesse olhando. Cores escuras valorizam a silhueta. Capas dão dramaticidade ao look. Decorar o quarto com caveiras dá profundidade ao ambiente. E, claro, tenha sempre um caldeirão à disposição. Isso é indispensável.
Obrigada por isso, Disney. Mal posso esperar para conhecer os próximos vilões cativantes que você irá inventar."
- Gabriela Barbosa

18/03/2015

Será? - Crônica

Acordei em mais um dia monótono, assim como todos os outros. Resolvi ir até a pracinha do centro. Ao chegar lá, me sentei em um banco qualquer e me pus a observar o local.

Me deparei com uma criança mexendo na lata de lixo, aquela era a figura da pobreza. Quantos dias ela teria passado sem comer? Eu poderia fazer algo para ajudá-la?

Na esquina, vi uma menina falando ao telefone e se debulhando em lágrimas. A mãe dela teria morrido? Ou seria apenas mais um namorado que teria a traído?

Em minha frente, passou um casal com pressa e falando nos telefones respectivos. Seria realmente necessário toda essa afobação? Eles teriam um filho que ficou com uma babá em casa, assim como todos os dias desde seu nascimento? Eu chegaria a esse ponto algum dia?

Do outro lado da rua, vi uma menina correr até  os braços de um garoto. Será que estavam com tanta saudade? Quantos dias eles teriam  passado longe um do outro? Poderiam ser anos? A maneira com que se olhavam dava para perceber que eram almas gêmeas. Será que vou encontrar um amor assim algum dia?


Com tantas perguntas na cabeça, fui para casa desolado e confuso. Mas depois de muito pensar, cheguei a conclusão que só irei ter essas respostas se eu conseguir me desgrudar da vida dos outros e começar a viver a minha própria vida.

- Gente, essa foi minha primeira crônica, gostaria que comentassem o que acharam aqui em baixo e, caso peguem ela, queria que colocassem créditos, obrigada, beijos da Mands!

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